Um corvo hipnotizou o fogo, ou um passeio por O Farol

Diogo Simão*

O Farol (The Lighthouse) é o novo filme da A24 dirigido por Roger Eggers que acabou de estrear no Brasil. Esse filme, escrito por Robert e Max Eggers, se passa na Nova Inglaterra do século XIX e conta a história de Ephraim Winslow (Robert Pattinson), que vai trabalhar em um farol isolado no meio do nada, acompanhado apenas do velho faroleiro Thomas Wake (Willem Dafoe). O tempo vai passando e a relação entre os dois vai entrando numa espiral de loucura, e Ephraim vai perdendo mais e mais a noção do tempo e da realidade.

Eu sei que é um abuso dizer isso já em janeiro, mas para mim, O Farol já é provavelmente um dos maiores filmes de terror do ano. Quando soube que o Eggers estaria por trás do projeto, já fiquei ansioso de largada. Esse cara aí é o diretor de A Bruxa (The Witch), outro filme de terror de 2015 que meio que já é uma espécie de clássico moderno e que conta a história de uma família da Nova Inglaterra do século XVII que acabou indo morar no meio do nada e teve que lidar, bem, com bruxas.

Eu, como linguista, amei o cuidado do Eggers, em ambos os filmes, em escrever diálogos usando um inglês que não soa em nada com o inglês contemporâneo. No caso de A Bruxa, por exemplo, partes dos diálogos saíram de materiais escritos na época (jornais, diários e sentenças que envolviam bruxaria ou crianças possuídas), o que colabora muito para essa cara de “inglês antigo”, essencial para a atmosfera que o filme quer passar. Foi um trabalho minucioso em cima dessas fontes na tentativa de reconstruir um “falar da época”, na falta de um termo melhor. Tanto que quando um determinado personagem em A Bruxa manda um “Thy mother’s not slept a night since”, ou então um “Aye. Fetch thy hat, tis bitter cold”, o espectador fica “nossa, o cara está falando um ‘thy’”. Nesse filme, a ideia por trás dessa linguagem seria transportar o espectador para dentro daquele universo de fazendeiros, seria dar ao espectador essa impressão naturalística de que aquilo é real; a gente quase sente que está ali, acompanhando aquela família.

Agora… o que Eggers conseguiu com o uso da linguagem em O Farol...oh, boy. A coisa é tão elaborada que deixa de ser “só” uma mera questão de tornar a experiência de imersão mais eficiente; passa a ter uma importância gigantesca no desenvolvimento da narrativa e… vamos dizer assim… é um elemento essencial na interpretação das alegorias do filme justo porque permite que identifiquemos uma série de intertextos que nos ajudam a entender a (ou uma das) mensagem(ens) do filme; é uma viagem.

Uma pausa rápida, antes: daqui para frente, é spoiler. É muito spoiler. É spoiler demais. Então…conta e risco.

Já avisei sobre o spoiler? Então pronto, sigamos.

Esse O Farol é um filme com bastante, bastante mesmo, referências a outras obras; Eggers resolveu que queria estabelecer diálogo com a literatura, com o cinema, com as artes plásticas, enfim, é um amontoado de referências que faz com que interpretar esse filme seja uma espécie de quebra-cabeça. Tem como entender ele a partir de uma leitura mais literal e superficial? Tem. E daí, são dois homens trabalhando em um farol indo direto para a loucura que termina com um matando o outro na machadada. Tem como entender ele a partir de uma leitura mais…simbólica, alegórica, metafórica? Tem também. E, nessa nossa leitura, isso vai passar por três chaves: pela mitologia grega, pelas artes plásticas alemã e pela linguagem.

Comecemos pela relação com a mitologia grega. Nesse caso, nossa primeira chave de leitura está, principalmente, no último plano do filme: Ephraim caído em cima de uma rocha com os pássaros bicando seu abdômen. Essa cena é familiar na mitologia grega; e o espectador mais atento vai perceber imediatamente que o filme pode ser interpretado como uma releitura do Prometeu acorrentado. Esse Prometeu aí é aquele titã da mitologia grega, sabe? Que dá o fogo para a humanidade a contragosto de Zeus, que o pune desse modo: manda acorrentar o titã em uma rocha, e manda uma águia comer diariamente seu fígado, que ia se regenerando só para ser comido novamente, time after time. Acontece que há uma outra menção ao Prometeu antes disso. Em dado momento do filme, Ephraim e Thomas acabam brigando. Ephraim joga Thomas em um buraco no chão ao lado do farol. Ephraim pega uma pá e vai cobrindo Thomas com terra, que diz:

O what Protean forms swim up from
men’s minds and melt in hot
Promethean plunder scorching eyes
with divine shames and horrors

Essa fala (você pode ter acesso ao roteiro de O Farol aqui) remete não apenas a Prometeu, mas também a Proteu, que seria outra divindade grega (relacionada ao mar, o que faz todo o sentido num filme em que sereias e polvos aparecem e que se passa num….farol, construção que supostamente serve para orientar navios à noite). De acordo com o Google, Proteu seria uma divindade que teria a capacidade de prever o futuro. O problema é que, por detestar fazer isso, acabava assumindo formas monstruosas para espantar/despistar as pessoas. Ainda de acordo com o Google, uma das formas de fazer com que Proteus revelasse o futuro seria o aprisionando durante o sono. A pergunta que surge: se Ephraim é a versão de Eggers para Prometeu, seria Thomas o Proteu? Assumamos, por um momento, que sim. O que isso nos diz? Prometeu tem a ver com o acesso do homem ao conhecimento. O fogo seria o conhecimento, e o próprio Prometeu seria a representação desse homem que se rebela contra a divindade na busca pelo conhecimento. Da mesma forma, Proteu também teria relação com o conhecimento, já que ele faz previsões sobre o futuro. Teria, também, alguma coisa a ver com essa mudança constante de forma. Essa identidade que estaria sempre em mudança, um eu que nunca seria reconhecível. E deixemos, por agora, a mitologia grega de lado. Só mantenham em mente: Prometeu e Proteu.

Nossa segunda chave de leitura envolve uma rápida cena: Ephraim é surpreendido por Thomas, que o segura pelo braço. Ephraim está ajoelhado, Thomas em pé. Ephraim está vestido, Thomas está nu. Dos olhos de Thomas saem uma luz direto para os olhos de Epharaim. Quem já viu o filme irá reconhecer essa cena nessa obra de 1904 do pintor alemão Sascha Schenider chamada Hypnosis:

Essa pintura, como o próprio nome já diz, trata de uma hipnose. Para além da óbvia conotação homoerótica de que um homem nu é hipnotizado por um homem seminu, com corpos cujos detalhes não podem passar desapercebido, é curioso notar que não há apenas a hipnose, que ocorre pela luz que sai do olho do cara ali, mas o controle físico, já que o hipnotizador está segurando o braço hipnotizado, o que cria essa analogia entre o efeito da hipnose e a força física (mais sobre isso, aqui); uma analogia, porque não, entre a mente e o corpo.

Novamente, lembremos: Ephraim seria Prometeu, Thomas seria Proteu e alguma coisa nessa leitura alegórica do filme teria que ter com a busca pelo (auto?) conhecimento e com a não fixação de uma (auto?) imagem, de um eu propriamente dito; e ambos os personagens (Ephraim e Thomas) têm essa relação homoerótica que envolve a mente e o corpo, e que lembra muito, como já vimos, uma pintura de Sascha Schneider (mais curioso ainda é o fato de que o nome “Ephraim” vem de “frutífero”, “fértil”, o que tem tudo a ver com…bem…sexo). Teríamos, então, juntando tudo, o seguinte cenário: O Farol seria uma narrativa que pode ser uma alegoria sobre o homem e a sua relação com o poder e com uma possível (homo)sexualidade? Vejamos…

Nossa terceira, e última, chave de leitura seria a seguinte: Eggers gosta de literatura. Isso já fica claro nos diálogos que A Bruxa, filme de que já falamos, estabelece com contos como João e Maria, por exemplo (e mais claro se a gente lembrar da coisa com a mitologia grega que O Farol tem). Que ele gosta de “reconstruir” um suposto dialeto local da Nova Inglaterra, também (ou, ao menos, usar elementos de um inglês literário não contemporâneo). E aqui, em O Farol, ele faz uma coisa bem interessante ao usar um negócio na poesia que a gente chama de tetrâmetro trocaico como base para partes das falas do Thomas. Esse treco aí é basicamente um tipo de verso (que seria, no caso, cada linha do poema); esse verso seria composto por quatro pés (um pé, no caso do troqueu, consistiria em uma dupla de sílabas forte/fraca, ou tônica/átona, básica e grosseiramente falando). Ou seja, na leitura do verso, uma sílaba forte e uma sílaba fraca formam um pé, o tal de trocaico, e quatro desses pés formam o tetrâmetro, que a gente chamou de tetrâmetro trocaico. Basta olhar:

SHOULD / pale // DEATH / with // TRE / ble // DREAD
Ou então:
DEIGN / to // SAVE / the // SU / ppliant // SOUL.

Que são exemplos da fala de Thomas no filme; e esses são apenas dois exemplos, mas acreditem, esse tipo de construção é bastante recorrente na fala desse personagem.

Legal, mas…e por que isso seria interessante?

Bom…primeiro porque é divertido ouvir o Willlem Dafoe quase recitando um poma a cada frase que seu personagem fala (recita?); segundo porque Ephraim não fala desse jeito; essa diferença na linguagem acaba por aumentar o “conflito” entre os dois personagens, já que o espectador sente, ao comparar o modo como eles falam, a diferença entre eles (e o Thomas ser mais “sofisticado” que o Ephraim também coloca um em relação de dominância ao outro); e terceiro porque esse tipo de verso é usado por um povo da literatura como Sarah Orne Jewett (obra carregada de regionalismo) e … Edgar Allan Poe (romantismo sombrio).

Um parêntesis aqui: vale a pena dar uma lida no texto de Robert Daniels, que trata das várias referências literárias presentes em O Farol, e que você pode conferir aqui (foi a partir dele, inclusive, que este meu texto tomou forma). Pois bem, acontece que Daniels associa a construção das falas de Thomas a Jewett, não a Poe, o que também funciona, já que a poeta faz uso de octâmetros/tetrâmetros trocaicos em seus poemas (Daniels cita o poema At Home for Church, um poema sensacional que você pode ler aqui). Porém, gostaria de ir para o outro lado…e me deter mais sobre as semelhanças que o longa de Eggers tem com a poesia de Poe.

Bastante conhecido na literatura, Edgar Allan Poe foi quem escreveu um poema chamado O Corvo, em que um cara, em luto por perder o amor de sua vida, recebe uma visita inusitada, numa meia noite dessas típicas de filme de terror, de um corvo. Conversa vai, conversa vem, esse cara percebe que o corvo “fala” a palavra nevermore. Bom, a partir daí, o poema desce por um caminho bastante macabro, em que esse homem vai se torturando com perguntas mais e mais complicadas (sobre um reencontro com a esposa após a morte, por exemplo), que vão sendo respondidas com nevermore pelo corvo.

Mas…e sobre o tetrâmetro trocaico? Bom, vejamos o último verso da primeira estrofe de O Corvo:
ON / ly // THIS / and // NO / thing // MO / re

Se a gente comparar esse verso com os exemplos do que Thomas fala, vai dar para perceber a métrica …bem igual: ambos são tetrâmetros trocaicos. No entanto, é preciso, aqui, fazer um adendo: no caso de O Corvo, as estrofes são, com exceção do último verso, compostas por versos que têm duas vezes o tetrâmetro (ou seja, cada verso teria, então, oito pés, não quatro). Ou seja, o verso de oito pés, o octâmetro trocaico, seria basicamente um tetrâmetro trocaico vezes dois, o que, convenhamos, não altera muito a semelhança entre poema/filme (basicamente, dá para dizer que cada duas linhas do que Thomas fala corresponderiam a um verso do poema do Poe). Principalmente, não alteraria em nada a semelhança entre a temática que ambos possuem, como veremos já, já.

O interessante desse poema é, primeiro, a atmosfera. A gente não sabe se esse cara está sonhando ou se a coisa é sobrenatural. Começa que o cara está sozinho, meio dormindo meio acordado, é por volta de meia noite. O set up para o encontro com o corvo cria essa atmosfera é bastante típica de um conto de terror. E isso é reconhecível em O Farol, isso tem tudo a ver com O Farol: tem essa coisa com o contraste entre a noite e o dia, entre o “onírico” e o “sobrenatural” que faz com que a gente não saiba muito bem se aquilo é sonho, se é delírio, se é sobrenatural. E, pensando em contraste, dá pra elencar também os entre o novo (Ephraim) e o velho (Thomas), entre a mente (sonho, delírio, realidade) e o corpo (a escatologia envolvendo masturbação, peidos e arrotos, as brigas físicas), entre o racional (uma fala quase lírica de Thomas) e o irracional (os latidos de cachorro que Ephraim é obrigado a fazer), e por aí vai. Bom…lembram da espiral de loucura? Pois então, frequentemente esses elementos são representados visualmente nesse filme, como é o caso aqui:

E isso tem a ver com o “eu”, ou com o “sujeito”. Que seria o personagem do Ephraim. Porque a gente, que assiste ao filme, está colado nele, não no Thomas. A narrativa ocorre sob o ponto de vista de Ephraim. Frequentemente, por exemplo, vemos planos que são pontos de vista do personagem, planos subjetivos. Quando não são, frequentemente a câmera faz movimentos que seguem os movimentos de Ephraim (se ele se levanta, a câmera faz o movimento vertical para cima, se ele se senta, o movimento vertical para baixo, e por aí vai). Esses movimentos colam o espectador no personagem, faz com que o espectador acompanhe o que vê “como se” fosse o personagem.

Além disso, o Thomas é o personagem em quem o Eggers despeja esse tipo de referência (é o mais velho, mais experiente, domina a conversação, tem a fala mais “sofisticada”), e não seria difícil imaginar que o conflito que surge entre ambos, na verdade, é um embate realizado por um “sujeito”; é um simbólico ganhando vida bem na nossa frente (talvez uma relação espelhada, ou uma personificação de algum inconsciente…a gente já volta nisso). Esse confronto envolve, pelo menos no argumento do filme, duas coisas: poder e sexo.

Não à toa, a cena em que Ephraim enforca Thomas é carregada pelos dois símbolos que envolvem masturbação no filme: a sereia (Thomas literalmente vira a sereia) e o polvo (os tentáculos surgem por trás de Ephraim). Se a sereia é a criatura pela qual Ephraim se masturba, o polvo é o que ele vê quando Thomas aparentemente se masturba (a gente não vê se é efetivamente isso que está ocorrendo na cena). Não menos importante, junto com isso tudo, é a coisa de tanto a sereia quanto o polvo serem criaturas do imaginário popular quando a gente pensa em marinheiros, marujos, navios, naufrágios; a sereia, inclusive, seria aquela criatura da mitologia (er…grega, talvez?) responsável por atrair o homem para uma armadilha, o que arruinaria embarcações e levaria, o homem à ruína (literal e simbólica, no caso, considerando que o “canto da sereia” faria com que todo homem se tornasse irracional, perdendo a habilidade de pensar e fugir, tanto que Odisseu, na narrativa homérica, precisa tapar o ouvido de toda a tripulação e se amarrar no mastro do barco para ouvir o canto das serias no episódio… bem… das sereias).

E voltamos, com isso, a um cenário bastante familiar: a narrativa e a mitologia grega. Tentemos fechar tudo isso. O que temos até agora, então? Primeiro, Ephraim seria Prometeu, Thomas seria Proteu. Prometeu representaria o homem que se rebelaria contra os deuses por conta do conhecimento. Proteu seria a deidade do mar responsável pelo conhecimento, mas sem identidade. O confronto daquele que briga pelo conhecimento com aquele que detém o conhecimento, mas não sem camuflar a própria identidade. Conhecer a si mesmo, talvez? Okay. Mas conhecer a si mesmo é um eterno conflito, no caso do homem, com a própria… er… masculinidade?  Segundo, o conflito do homem passa pela analogia entre a sugestão e o físico e envolve o poder, que se manifesta por meio do desejo sexual (entre outras coisas) meio homoerótico; a gente tem que lembrar que o farol pode simbolizar, nesse conflito simbólico, não apenas a luz que faz com que os navios se encontrem (iluminismo, então…), mas literalmente um falo, e que Thomas se masturbe lá no alto do farol ao lado da luz, enquanto Ephraim se esconde nas sombras para fazer a mesma coisa seria uma mostra notável de como o autoconhecimento (o iluminismo, lembra?) parece precisar passar pela compreensão das dinâmicas de poder entre os homens, que parece passar pelo conflito que surge a partir do desejo (sexo, hã). Terceiro, isso tudo acaba sendo reforçado, pelo filme, por meio da construção do diálogo, que opta por fazer com que a linguagem de Ephraim seja constantemente ou interrompida ou composta por balbucios, enquanto que a de Thomas seja uma espécie de “poema”, seguindo um tipo de versificação que pode ser referência a autores como Edgar Allan Poe. Ou seja, Thomas teria uma linguagem mais erudita e, portanto, mais iluminda que Ephraim (alô iluminismo, de novo?). Não à toa, há essa diferença de idade entre eles que fica mais clara ainda no roteiro (no roteiro, eles são nomeados “old” (Thomas) e “young” (Ephraim)).

  Putz…então quer dizer que a linguagem tem essa função narrativa de endossar o conflito entre os personagens justo por um personagem falar diferente do outro, que tem essa relação com o romantismo por um personagem falar sentenças versificadas tipo os versos de um poema do Poe; que tem esse intertexto com a mitologia grega e com esse alemão do século passado cuja arte tinha uma cara de homoerotismo (sejamos justos, nesses dois casos, a imagem ajuda um bocado); e que isso tudo tem tudo a ver com a atmosfera (macabra, sinistra, trevosa) que Eggers tenta construir no filme e com a analogia sobre o farol ser o falo e sobre o filme discutir o bicho homem a partir do conflito na busca pelo poder que perpassa a idade e, mais que tudo, a necessidade de conhecer e lidar com os desejos mais inconscientes ou, quem sabe, a própria sexualidade (sexo!)? Sim. Bacana, né?

*Diogo Simão é doutorando em Estudos Linguísticos na UFPR.

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